segunda-feira, 8 de maio de 2017

Rait

Rait faz silêncio.
A dona do mundo inteiro, dentro de uma bolha sem ar.
Ela primeiro olha para o céu, a imensidão azul com suas estrelas dramáticas, seus astros quentes que derretem o peito de quem ousa tocar. E depois, fecha os olhos.
Sete segundos, Rait. Eu os conto internamente.
Sete segundos para fazê-la acalmar o que sucumbe. Sete segundos para uma respiração sair. Sete segundos para o peito diminuir a ardência. Ela leva sete segundos para conseguir me olhar com os olhos cheios de abismos e vermelhos internos. Sete segundos para entornar em mim o que de nela sobra: agonia.

Primeiro, o céu.
Depois, os sete segundos no escuro de si.
E em seguida, o silêncio.

Alguns espaços em branco em que Rait me fez querer pintar algo muito bonito.
Mas como se pinta a esperança, menina?
Como se faz para reinventar a si de maneira boa?
Como se faz, menina, para arrancar do peito o que lhe foi plantado?
Rait, me diz onde é que arde
Rait, me diz onde é que fere
Rait, me diz onde é que não há mais caminho
e eu te dou uma estrada de saídas

Me diz, Rait, que eu sei, o amor é cura
Me mostra, Rait, onde é que seus pés não conseguem mais chegar
e eu te dou o meu colo
Me fala onde é que as palavras puseram fim
e eu te dou infinitos.

Ela passa sobre os cabelos aquelas mãos pálidas. Morde os lábios inquietamente. Ela diz rompantes e eu entendo salvar. Ela sussurra um tudo bem e a agonia estoura e samba na minha frente. Eu sei.
E ela se estende a olhar para o céu.
E ela se estende a ficar em silêncio.
E são sete segundos até que eu a sinta em mim.

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