segunda-feira, 8 de maio de 2017

Passos

Você lembra das respirações ofegantes? A corrida de sete segundos que durou dias no meu coração, você perdeu naquela noite, você ficou pra trás. Eu vi a loucura dos seus olhos quando com os meus encontraram, aquela disposição para amar me felicitou, me carregou de asas, como quando o mundo voa dentro de você e os seus pés não conseguem sentir o chão. Você se aproximou e me beijou com o hálito quente de um perdedor, que tinha o peito arfante, e eu que tinha os olhos na sua alma, aquela coisa bagunçada que eu também toquei.

Você lembra dos risos tolos? os risos tolos, a boca torta, a perda escorrendo por entre essas aberturas, você sabe, tem hora que tudo é desespero. Você lembra da respiração que saiu no mesmo instante e nunca mais voltou? Nós poderíamos sempre andar iguais, sempre manter os mesmos passos, e não adiantava o quanto eu tentasse andar diferente de você, lá estava eu andando igualmente outra vez. Isso era interessante. Os meus passos são os mesmos que os seus, mas o caminho é outro. E é isso que muda tudo, sabe? Mas naquela noite você suspirou pelo mesmo segundo que eu, o seu peito abriu e fechou no mesmo instante, e os nossos corações se sentiram. Eu tentei controlar, tentei voltar a respirar como você, impossível. Como eu sei, baby, o controle estraga tudo.

Em alguns segundos esses caminhos se cruzam, como no caso das respirações, mas são apenas segundos, e depois a tristeza e o vazio voltam. Tardou, baby, e do que eu me lembro?
Lembro da minha ilusão de pensar que nesse momento o amor não seria a batida rápida do coração do outro que você escuta.
Deveria ter escapado, deveria ter lembrado
O amor tem dessas distâncias
Os meus passos são iguais aos seus
Mas o caminho é outro.

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