segunda-feira, 8 de maio de 2017

Hoje o dia dorme triste, Aur. É desses nos quais você estica as mãos para tocar e os dedos congelam. Nos quais você tenta sorrir mas o choro sai antes. E quando você fala, o silêncio é rei, cê sabe? Abro a porta esperando o azul e encontro cinza, das janelas dos ônibus que experimento, o mundo é sempre avante enquanto eu permaneço parada. Inerte. Como se minhas próprias formas de tristeza e cansaço me amarrassem naquele momento, onde a chuva nunca passa, o rio congelou e o fracasso é o incomodo que sinto o tempo inteiro. Mas você sabe, tem sempre uma gota bonita, uma vista com esperança, um fiapo de luz que entra pela brecha da alma e aquece. Tem uma parte ainda minha que conforta.
Aur, vivo nessas oscilações, entrelaçamentos, dificuldades, pares e ímpares que não formam casal e nessa saudade. E você sabe quando eu digo de saudade, que é como se eu sempre tivesse sentido sua falta, mesmo antes de conhecer esse novo mundo. Que para mim, cê traz essa paz para perto. E mesmo que eu também não seja daqui, e não saiba dessa trilha, me sinto segura na sua estrada. Que para mim ainda é mais bonito estar perdido em corações, do que certo de si em um deserto. Por isso me perco, me perco, me perco e continuo me perdendo… Sentir é a única mão que me salva.

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