segunda-feira, 8 de maio de 2017

ana, ana, ana

Ana me dizia dos silênciosme colava a boca na dela e grudava em mim suas pulsações
respirava colada na minha respiração e assim me estonteava
Ana falava por horas se de caso eu ficasse olhando
apenas observando as palavras todas, juntando-as dentro daquela bolha
guardando os resquícios de entrega que ela soltava sem notar
Ana se pendurava nos meus ombros e me olhava doce
dependendo do jeito como mexia a cabeça, eu sabia
ela queria ser beijada
e beijada por mim
Ana tinha corpo e alma de sereia, me encantava só pelo prazer
de ver meu olhar desabitado, procurando, perdido
Cantava, cantava
e com sua voz distribuía em mim os recomeços
Ana
eu pedia
se ainda for um dia
que seja longe
Mas Ana, parecendo que já sabia da dor
não se demorou
A diferença toda estava nos olhares
o dela de quem encanta
o meu de quem é encantado
o dela de quem está
o meu de quem fica
Ana não pertencia
Ana ia
ia
ia
ia
e me levava junto...

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