segunda-feira, 8 de maio de 2017

2014

Eu junto as mãos, amacio, sinto a carne quente que está viva em mim. Eu pisco rápido, buscando o caminho certo, mas são ainda sete da manhã. No meu ombro o ônibus corre e quase bate e quase cai. Eu suspiro. Penso talvez se a dor seria rápida e diferente de toda essa que sinto desde que descobri meu coração. Se a dor seria um instante único e depois o branco, a paz. Se as luzes dos postes iriam se acender pra eu ver brilhar antes de não ver mais. Se depois ia ser mesmo calmo. Mas o ônibus consegue manter o ritmo, e nada vira, nada cai, nada arromba, nada sangra, nada bate, nada espeta, nada fura, nada grita mais do que o meu coração. O meu peito estronda tudo, ele tem a força de um furacão e a sensibilidade de uma flor. O meu peito é um trem sem trilho engolindo as minhas artérias, atropelando minhas veias, comendo o resto todo do inteiro que não existe mais, se é que um dia existiu. O meu peito é a explosão do eu solitário que não cabe no meu estado só. É um colapso.
Um grito alto em um buraco escuro.
A falta de socorro.

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