quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Tem mais, Ana

   Minhas teorias estão agitadas no estômago ainda quando te ouço, você diz sobre sua quebra enquanto por mim é colada. Tem gostos antigos na boca, de estações que nunca experimentei. Tem gritos internos agudos que se fossem menos tão, não teriam te estraçalhado desse jeito. Eu sei, foram os gritos. 
   Qual o real motivo que as mãos dele encostavam-se ao rosto dela com tanta tristeza? Talvez não haja um. E também não sei o real motivo de ter um coração tão frágil sobre todos esses toques. Nasceu para amar e o amor é cada parte infinda de você, teus olhos, teus pés, teu ventre. E quando dizem: “olhe, o problema está na sua fragilidade”, não se assuste, Ana. Não se assuste porque sempre vai existir uma dor que não conseguiu ser superada e ficou trancado no peito de alguém, um choro guardado para depois, um nó espremido na garganta, um toque desonesto, uma voz que não se escuta mais e um adeus que precisava de mais tempo. 
   Você é minha inquebrável, te abalam, te chutam, te espremem, te absorvem, mas a sua luz continua essa. Ana, eu quero que saiba que todos se desdobram, todos se vestem, se levantam e prosseguem, para o quê, afinal? Cada razão um peito diferente. O meu encosta no seu todos os dias, te faz um carinho na cabeça, cuida e pede reação. Tem mais, Ana.

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