quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Gabriela

     Hoje as paredes fazem um barulho estranho, mas ainda me dizem para continuar. Quem gostaria de quebrar essas fitas isolantes entre o céu e meu olhar, Gabriela? Eu ainda peço por você quando olho as nuvens apressadas se arrumando para um dia de sol. Meu bem, eu espero que você supere. 
     Quando digo tome cuidado porque o trem vem rápido demais, quero te contar que passa, e se não houver cautela te leva junto, como eu fui levada. Não quero que você termine escrevendo notas em vão de madrugada, sem sono e sem paz. 
     Querida, desacreditar é "reacreditar"... E nos meus olhos ainda existem lembranças do fim de semana passado, quando lhe dei a mão e dançamos juntas aquelas canções antigas e quebradas como nós. Antigas porque tudo o que nos resta é o passado surrado e cinza e quebradas pelas entranhas da vida. Ainda assim me tem na memória o teu sorriso enquanto rodamos rápido e nos divertíamos por simplesmente estarmos ali como loucas dançando no meio de uma festa de desconhecidos. Sorríamos porque é isso que se faz quando é pesado demais e ainda estamos de pé. Estamos de pé? Talvez sim, às vezes não, mas não quero pensar nisso agora.
     Sabe, aquela coisa da caixinha de surpresas é um clichê bonito, “A vida é uma caixinha de surpresas”, e é isso. Eu vou acordar amanhã sem saber o que pode acontecer depois e até mesmo se vou acordar, porque tudo flui e reflui, até o sol, até a lua, até as estrelas, por que não o amor? Aposte no que te enche de coragem, no que te faz sorrir com a alma, mesmo que ela grite de dor a noite.     
     Gabriela, o outono vai passar também e eu ainda estarei aqui. O verdadeiro permanece diante da loucura do tempo, eu não me lembro quem citou isso, mas uso por enquanto como exemplo de que sairemos bem, cairemos bem, viveremos bem.
     Nesse mundo de mar congelado, ainda existe gente dançando música antiga e sendo alegria. Ali na esquina ainda tem uma menina que olha para o céu e lembra você, isso te dá esperança? A nossa arte está em sentir, Gabriela.



Nenhum comentário:

Postar um comentário