domingo, 13 de novembro de 2016

A minha coragem

   Dois mil e dezesseis tem onze meses e neles eu me desloquei, me derreti, me inclinei aos seus olhares. Eu ando pelas ruas da cidade, pego ônibus, metrô, trem... Eu me desloco. Eu parto de um lugar à outro sem nem mesmo saber onde estou, é como uma atitude automática, lançada fora de mim sem escolha ou diversão. Eu não sinto mais e sinto muito por isso.
   Já faz tempo que você foi embora... Dos meus dias, das minhas escolhas, do meu sorriso, do meu olhar, da minha entrega. Faz tempo que você foi embora e até na minha pele não existe mais nenhum resquício teu. Até mesmo nas pequenas coisas que me lembravam você, teu rosto tem sido, aos poucos, apagado. Você tem sumido como um arranhão que vai sarando na pele. E eu corro, saio, dou risada, converso minhas sensações, escrevo naquela agenda. Eu canto, estudo, apronto, me desvio, eu caio e levanto. E passeio e desmancho e me entrego de novo a mim. Todos os dias eu volto para casa, para mim.
   Agora eu consigo cantar aquelas músicas que antes só me faziam doer. Agora eu consigo vestir a sua camisa e lembrar que foi bom, que bom! Agora eu voltei a escrever e voltei a me lembrar que eu sou a melhor parte de mim. Agora, muito tempo depois, eu consigo saber de tudo que é importante de verdade: a minha essência, o meu rosto pintado na minha cara, o meu coração pulsando a minha verdade, a minha vontade de crescer por dentro e me expandir no mundo, a minha coragem de sempre tentar, a minha coragem de chorar, a minha coragem de ser o que eu sou, a minha coragem de deixar que você vá sem que isso me machuque mais.
   Eu tenho escrito na minha pele todos os vãos que me trouxeram até aqui.
   Hoje eu sou grata por todos eles.

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