sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Vinte e oito do dez
e eu ainda te olho do avesso, como quem espera por, enfim, poder tocar onde ninguém nunca tocou.
anda como se estivesse com a alma roubada, deslocada, sentida, ferida. se você pudesse ver só o rosto dela, parecido com o outono, as folhas caindo, o vento chegando, a gente achando bonito. não tem como não achar bonito. teus olhos. teus gestos. teus fins e recomeços. não tem como não achar bonito até a parte menor e minuscula dos teus pensamentos e dos teus medos. não tem como não achar bonito sua distração, sua doçura, seu olhar de quem já foi...

12:30
e eu já pensei de todas as formas como arrancar você do buraco negro que se enfiou, onde parece que não volta jamais, onde parece que nem sabe que existe, onde mofou tanto que não vive mais fora do escuro. se acostumou com sua dor? ou a ausência dela dói mais que tê-la nas suas veias?

Estação: Primavera
as raízes invadem os muros, o chão mais pedregoso se torna em flores, em cores, só para que você possa ver que o mundo sorri. as árvores se enchem de sinais dizendo que você vai brotar de novo. se o que sinto fosse convertido na força do seu germinar, você seria a flor mais forte de todas. eu juro. você nunca morreria. você nunca teria morrido.


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