quinta-feira, 9 de junho de 2016

A Bromélia

Ela não fala nada sobre minhas desilusões. Ela não fala nada sobre eu ter largado tudo sem trocado nenhum. Ela não fala nada da cratera sangrenta estampada na minha blusa.

Continuo sentada no sofá, eu penso em como arde olhar para mim.
Ela não diz nada.
E eu continuo procurando alguma coisa que não consigo me dizer. Mas preciso.
Acho que ela quer que eu fale comigo mesma. Já eu, não sei como contar a verdade.
O problema do silêncio é que ele fica grudado nas paredes, na minha pele, na minha garganta.
Se ao menos ela dissesse algo…
Assim, de fato, parece que eu não existo. Não existo no dia a dia e não existo todas as quintas, às 15:30h. Não existo quando tudo em mim chora. Não existo quando estudo trabalho durmo acordo trabalho estudo.
Parece que
Plantei uma bromélia no meu peito, por inocência. E é por acidente também que me atraiu, capturou e está digerindo.
O mais triste é que pra mata-la eu também te mataria.

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